A Merda

Quando alguém te mandar à merda, você já sabe aonde ir.

Oct 16

O diálogo achado entre as mentiras do cotidiano

- Arrgh! Quase tudo nesse mundo é mentira. Tem pouco espaço para a verdade por aqui, garoto.

- Não sei…

- Não sabe!? Olha isso na TV: futebol. Pessoas xingando, chorando, aflorando emoções… Tem crônicas para isso. As pessoas cantam para isso. E não passa de uma mistura de coisas que a maioria odiava na escola: física, geometria e pitadas de aritmética – enquanto ele vomitava suas explicações, fez uma pequena pausa para acender um cigarro. O homem tem vazios, garoto. E ele vive inventando mentiras para preencher. Livros, filmes e músicas. Chamam isso de cultura e de fato é. Mas é tudo uma mentira, não é real, no máximo a tal da verossimilhança. Mas, a verossimilhança, é baseada em verdades cheias de mentira e como não é uma verdade pura é uma mentira. Veja só o amor exacerbado por ídolos, por exemplo. Quantas merdas na música são adoradas? Aliás, quantas pessoas boas na música são idolatradas? Qual a função disso? Não que tudo na vida tenha que ter um porquê… Mas bem que a vida já é sem sentido o suficiente para mim e umas repostas viriam a calhar. Enfim, continuamos inventando mentiras apenas para prosseguir. Já viu quantos deuses existem na história da humanidade?

- E se um desses deuses for um deus de verdade?

- Aí eu espero que ele não seja como os humanos o “inventaram”. A grande maioria deles parecem ser bem cruéis.

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Apr 15

Anacrônico

Acordo e corro para uísque e acendo um cigarro. O sol queimando lá fora. E que se foda “o tudo igual”, escolhi isso por que é assim que quero viver. Foda-se aqueles cartões de ponto. Foda-se o maldito horário de todos os dias. Que os pequenos centavos pinguem em minha conta e que meus livros sejam vendidos. Que se foda tudo do mesmo repetidas vezes durante anos. A vida tem que ser um grande fim de semana todos os dias.

Viajo por aí bêbado. Nem me lembro mais a sensação de estar completamente sóbrio. Sou aquilo que você chama de mau exemplo para os jovens de hoje em dia. Que ironia, o mau exemplo é você. Vejo a inveja em seus olhos, queria isso, o fim de semana todos os dias, em especial a sexta, quando o bom exemplo de pai mente para a família que tem muito trabalho no escritório para foder com a secretária na suíte de um motel.

Entendo sua raiva por mim. Sua filha ama literatura e quer me dar. Teu filho sabe tudo sobre você e te acha um merda. Que viva a grande hipocrisia da vida. Toquem assim a sociedade, que daqui, do 5° andar, sinto o fedor exalado pelas catedrais. Sai com putas, mas no almoço de domingo diz que a prostituição é um mal nesse país.

Você escolheu ser assim. Escolheu esconder sua vida louca de anos atrás. Escolheu esconder no baú sob a cama suas mazelas de hoje em dia. Vá lá, é segunda, finja tudo outra vez, por mais uma semana.


Feb 15

Metalixo

- As tardes de novembro são como os doces de feira.

- O quê?

- As tardes de novembro…

- Eu entendi essa parte. Mas que diabos é isso de doces?

- Doce é algo agradável, fiz uma metáfora.

- Não, não fez. Isso é um “metalixo”.

- Que isso cara, é poesia. Liberdade poética.

- A sua boca é um cu e seu cérebro um intestino…

- Ahn?

- Isso é uma metáfora.


Feb 14

Fantasmas

Esses fantasmas vêm e vão diante dos meus olhos como um filme. E eu fico pensando o que poderia ser, o que deveria ser, se não errei na curva logo ali atrás. Esses fantasmas não me assustam, mas me deixam melancólico e tudo isso me faz pensar, injustamente, que poderia ter sido melhor.

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Feb 9

O coelho que bota ovos de ouro

- Ele é o mestre da escrita moderna!

- Ah! Vá a merda! Ele é o mestre em chupar a bola esquerda sem mexer a direita.

- Pela amor… Como você consegue falar tanta merda assim.

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Oct 6

Passos lentos

Meu Deus! Quem é esse preparando uma apresentação sobre “accountability e a comunicação”, perdido em textos revisando o conceito de esfera pública, lendo a evolução do espaço público e cansado das eleições 2010?

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Aug 19

Porcos voam enquanto há álcool e dinheiro

Era um bar qualquer e eu sentado no balcão tomando uísque sem gelo e fumando um cigarro. Ela chega e pergunta: “Você tem fogo?”. Olho para ela, com o cigarro na mão e com um sorriso de canto de boca e respondo, “É claro”. Tiro o isqueiro do bolso e o levo até o cigarro que está na boca dela. Ela acende, dá uma tragada longa, olha para mim e pergunta: “Você não é aquele escritor do Por que é proibido pisar na grama!?”. Esse era meu terceiro romance, o mais famoso e o que me deu mais, mas não quer dizer muito, dinheiro, o que fez eu trepar mais durante a semana, graças a ele meu Corolla cheira à boceta e hoje sou um solitário desgraçado em algumas partes do dia e um bêbado em outras. Mas foi o caminho que escolhi. “É, eu que escrevi essa merda”, respondi.

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Catarse

Em uma sala calma com azulejos brancos ficou pensando sobre a vida, buscou todos os lixos em seu interior, meditou, respirou fundo e olhou para o telhado baixo do local. Gotas de suor desciam do alto de sua cabeça acariciando seu rosto. Podia sentir, estava próximo, as impurezas seriam expurgadas de seu corpo, mas, antes um pequeno prenúncio, um “luuuz” sonoro e fino. E tudo começou, atingiu a catarse e bem ali, no quarto branco, tudo seria exposto. Tudo que se embrenhava em suas vísceras seriam jogados diante dos olhos de quem quisesse ver. E então, sentado no lindo e cheiroso vaso, que brotava uma essência de pinhos, cagou.


Aug 2

O Palhaço

Meus melhores contos foram escritos no pensamento, se perderam e não têm mais graça. A lata de lixo está lá fora com alguns pedaços transcritos e com um palhaço procurando comida.

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Jul 30

O amor fede

Podia ser um dia qualquer dentro de um ônibus qualquer. Mas não foi. O ônibus passou mais rápido que o normal. E o dia, desde quando acordei, me fazia ter vontade de escrever algo, compor uma música, dirigir um filme. Era daqueles dias que eu poderia ficar horas em frente à pintura pálida “A vida” de Picasso, fumando meu cigarro e escutando “I Know it’s over” do The Smiths.

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