O diálogo achado entre as mentiras do cotidiano
- Arrgh! Quase tudo nesse mundo é mentira. Tem pouco espaço para a verdade por aqui, garoto.
- Não sei…
- Não sabe!? Olha isso na TV: futebol. Pessoas xingando, chorando, aflorando emoções… Tem crônicas para isso. As pessoas cantam para isso. E não passa de uma mistura de coisas que a maioria odiava na escola: física, geometria e pitadas de aritmética – enquanto ele vomitava suas explicações, fez uma pequena pausa para acender um cigarro. O homem tem vazios, garoto. E ele vive inventando mentiras para preencher. Livros, filmes e músicas. Chamam isso de cultura e de fato é. Mas é tudo uma mentira, não é real, no máximo a tal da verossimilhança. Mas, a verossimilhança, é baseada em verdades cheias de mentira e como não é uma verdade pura é uma mentira. Veja só o amor exacerbado por ídolos, por exemplo. Quantas merdas na música são adoradas? Aliás, quantas pessoas boas na música são idolatradas? Qual a função disso? Não que tudo na vida tenha que ter um porquê… Mas bem que a vida já é sem sentido o suficiente para mim e umas repostas viriam a calhar. Enfim, continuamos inventando mentiras apenas para prosseguir. Já viu quantos deuses existem na história da humanidade?
- E se um desses deuses for um deus de verdade?
- Aí eu espero que ele não seja como os humanos o “inventaram”. A grande maioria deles parecem ser bem cruéis.